Swift, da NASA, registrou uma rara devoração estelar ocorrendo muito longe do núcleo da galáxia. Pesquisa liderada por Robert Stein saiu em 27/07/2026 no The Astrophysical Journal Letters.
O Observatório Neil Gehrels Swift, da Nasa, capturou um impressionante fenômeno cósmico: um buraco negro gigante devorando uma estrela em uma galáxia distante. Essa ocorrência, que é rara por si só, foi observada a uma distância sem precedentes do núcleo galáctico.
Um artigo sobre essa descoberta foi liderado por Robert Stein e publicado no dia 27 de julho de 2026, no jornal The Astrophysical Journal Letters. Segundo Stein, pesquisador da Universidade de Maryland e do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, “com essa descoberta, que é uma das poucas confirmadas até agora, validamos uma nova técnica e podemos usá-la para buscar mais”.
A observação revelou um clarão ultrabrilhante, resultado da destruição de uma estrela pelas forças gravitacionais extremas de um buraco negro, fenômeno conhecido como evento de ruptura de maré. O buraco negro em questão possui cerca de um milhão de vezes a massa do Sol e foi detectado pela primeira vez em novembro de 2025, quando um brilho incomum foi registrado em uma galáxia a aproximadamente 750 milhões de anos-luz de distância, durante um levantamento do Observatório Palomar, na Califórnia.
Após a detecção inicial, outros telescópios, como o SOAR (Southern Astrophysical Research) no Chile, foram utilizados para investigar a origem do evento e analisar seu espectro. As características encontradas apoiaram a hipótese de que se tratava de um evento de ruptura de maré. Com isso, os astrônomos começaram a utilizar o satélite Swift da Nasa para observar comprimentos de onda que não podem ser detectados por telescópios terrestres, o que proporcionou novas informações sobre o fenômeno.
“A combinação de todos esses dados nos ajudou a descartar outras explicações e a afirmar com segurança que se trata de um evento de ruptura de maré, apesar de sua localização incomum”, afirmou Jonathan Carney, doutorando da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill.
De acordo com os cientistas, quase todas as galáxias do universo contêm um buraco negro supermassivo em seu centro. Em média, a cada 100.000 anos, uma estrela se aproxima demais desse buraco negro e resulta em um evento de ruptura de maré. Embora esses eventos sejam raros em qualquer galáxia, os pesquisadores têm explorado milhões de galáxias em busca deles, com levantamentos astronômicos detectando anualmente cerca de 30 eventos desse tipo ocorrendo em diferentes partes do universo.
Antes de 2024, todos os eventos de ruptura de maré haviam sido observados apenas nos núcleos das galáxias, uma vez que os astrônomos concentravam suas buscas nesses locais, onde se localizam todos os buracos negros supermassivos conhecidos. Para que um evento de ruptura de maré ocorra, é necessário que haja a presença de um buraco negro, já que a força gravitacional dos buracos negros menos massivos não é suficiente.
Nos próximos anos, os cientistas planejam utilizar a nova técnica para buscar estrelas em desintegração em observações realizadas no recém-inaugurado Observatório Vera C. Rubin, que é financiado conjuntamente pelo Departamento de Energia dos EUA e pela Fundação Nacional de Ciência, no Chile, além do futuro Observatório Vera C. Rubin da Nasa.
