Itabaiana · terça-feira · 13 de outubro de 2026
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Aos 16 anos, a catarinense Melissa Moreira será a única representante do país na categoria sub-júnior do Mundial, em 23 de agosto, na África do Sul. Treina há quatro anos.

Aos 16 anos, a catarinense Melissa Helena Gomes Moreira, conhecida como Mel, se destaca como a única atleta do Brasil a representar o país no Campeonato Mundial de Powerlifting na categoria sub-júnior. Natural de Florianópolis e residente em Garopaba, Mel alcançou esse feito em um esporte que não é amplamente conhecido nas escolas e entre os jovens.

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A competição está marcada para o dia 23 de agosto na África do Sul, e a atleta já se encontra em um estágio avançado de preparação há um mês da prova. Sua trajetória no powerlifting é resultado de quatro anos de dedicação e treinamento constante, com uma evolução técnica e física notável, especialmente no levantamento terra.

No Campeonato Brasileiro do ano anterior, Mel levantou 130 kg, e no ano seguinte, ela alcançou a impressionante marca de 152,5 kg. Antes mesmo de garantir a vaga no Mundial, a atleta já havia conquistado medalhas em dois Campeonatos Sul-Americanos e em um Campeonato Pan-Americano.

“Acho que é até difícil definir o sentimento, mas é muito gratificante, porque é um trabalho duro feito antes de sair uma convocação dessa”, afirmou Mel.

O início da carreira de Mel no powerlifting foi um tanto quanto inesperado. Ela começou a praticar o esporte após ser convidada por uma amiga para acompanhar um treino na casa de sua treinadora, Ana Rosa, que possui um currículo respeitado, com sete títulos mundiais e um lugar no Hall da Fama da International Powerlifting Federation (IPF).

Diante do incentivo da treinadora, Mel foi convidada a participar da sessão de treinos e, após uma boa performance, a mãe da amiga a parabenizou, sugerindo que ela competisse em um campeonato em breve. Com apenas dois meses de treinos, Mel fez sua estreia em uma competição em Pelotas, em que se tornou campeã em sua categoria.

Apesar de ser uma modalidade pouco divulgada, o powerlifting tem um calendário ativo em Santa Catarina, com cerca de três eventos anuais. O desafio para o crescimento do esporte não está na falta de competições, mas sim na escassez de divulgação e na falta de conhecimento do público.

“Tem campeonatos, só realmente não é muito conhecido, não é muito divulgado o esporte. Então acaba que as pessoas não têm esse conhecimento”, disse Mel.

Além dos desafios esportivos, Mel enfrenta dificuldades financeiras, já que não possui patrocínios. A família arca com praticamente todos os custos, incluindo passagens, hospedagem e alimentação. Para participar do Pan-Americano nas Ilhas Caimã no ano anterior, a família organizou uma vaquinha, e esse mesmo formato está sendo utilizado para custear as despesas do Mundial.

No campo acadêmico, Mel está cursando o segundo ano do ensino médio e se prepara para prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A rotina inclui sete aulas diárias e duas horas de treinamento, o que gera conflitos diretos em seu calendário, já que a data do Campeonato Estadual coincide com o dia do exame.

“Treinar e estudar é complicado, mas quem quer faz acontecer”, conclui Mel.

Embora tenha uma paixão pelo powerlifting, Mel tem uma visão realista sobre as possibilidades financeiras no esporte no Brasil, onde modalidades coletivas como futebol e vôlei recebem mais atenção e investimentos.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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