Relatório do WEF e da Universidade Columbia diz que cobre, lítio e terras‑raras existem, mas grande parte fica no subsolo por falta de capital. Sem investimento, extração e a transição energética podem travar.
O mundo possui cobre suficiente para eletrificar cidades, lítio para abastecer frotas de carros elétricos e terras-raras para turbinas eólicas e sistemas de defesa. No entanto, uma parte significativa desses minerais permanecerá no subsolo. A razão é simples: falta de capital disponível para extraí-los.
Essa é a conclusão de um novo relatório do Fórum Econômico Mundial (WEF), em parceria com o Centro de Política Energética Global da Universidade Columbia. O documento, intitulado “Making Critical Minerals Bankable: Policy Tools to Unlock Investment”, destaca que a escassez que ameaça a transição energética é mais financeira do que geológica.
O cobre é um exemplo claro dessa situação. Embora a Agência Internacional de Energia (AIE) projete um déficit de 30% até 2035, os investimentos necessários para preencher essa lacuna não estão sendo realizados. O relatório aponta uma diferença de US$ 250 bilhões entre o capital necessário e o que foi comprometido até 2030. O crescimento dos investimentos no setor desacelerou, passando de 14% em 2023 para apenas 5% em 2024.
Os investidores reconhecem a oportunidade, mas fatores como longos prazos de licenciamento, altos custos iniciais, incerteza regulatória e volatilidade de preços tornam os retornos menos atrativos para os grandes fundos de investimento e bancos.
A lacuna de financiabilidade, chamada de “bankability gap”, é o foco do relatório. Muitos projetos são viáveis, mas não atendem aos requisitos do capital privado convencional.
O documento também argumenta que os minerais críticos não formam um único mercado, e tratá-los da mesma maneira é uma das razões para o fracasso das políticas públicas. Por exemplo, o cobre tem um mercado estruturado e contratos padronizados, enquanto o grafite é negociado de forma bilateral, dificultando o financiamento.
O lítio apresenta uma situação intermediária, com preços mais transparentes, mas ainda enfrenta ciclos de expansão e colapso que afastam investidores. As terras-raras, por outro lado, operam em um ambiente quase opaco, o que dificulta a modelagem de receitas confiáveis.
A concentração de produção na China é uma variável que agrava todos os riscos. Em 2024, o país foi responsável por 91% da produção mundial de terras-raras refinadas e mais de 90% da capacidade de produção de ânodos para baterias, o que não só é um fato econômico, mas também uma alavanca geopolítica.
O relatório não apenas identifica o problema, mas também propõe soluções. Ele sugere seis categorias de instrumentos de política pública específicas para superar os obstáculos enfrentados.
O primeiro grupo inclui mecanismos de suporte a capital inicial, como subsídios e garantias governamentais, que ajudam durante a fase de exploração. O segundo envolve âncoras de demanda, com acordos de compra de longo prazo que garantem receitas futuras e credibilidade para os projetos.
A terceira categoria abrange mecanismos de estabilização de receita, que protegem os produtores de flutuações de mercado. O caso mais notável é o acordo entre o Departamento de Defesa dos EUA e a MP Materials, que garantiu um preço mínimo para terras-raras, resultando em um investimento significativo por parte de grandes bancos.
