Partidos do Centrão optam pela neutralidade nas convenções de 2026 e formam coligações menores que em 2022. Prioridade é ampliar bancadas na Câmara e no Senado; federação PP-União já não apoiará candidato nacional.
Os partidos do Centrão estão adotando uma estratégia de neutralidade para as convenções de 2026, distantes da polarização entre PT e PL. As coligações esperadas são menores em comparação com as eleições de 2022.
A prioridade dos partidos do Centrão é fortalecer suas bancadas na Câmara e no Senado, evitando vínculos diretos com os pré-candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que são os nomes mais fortes nas pesquisas, mas também os mais rejeitados.
Na última semana, a federação formada por PP e União Brasil decidiu não apoiar nenhum candidato nacional. Outras legendas, como o Republicanos e o Podemos, estão adotando uma posição semelhante, visando neutralidade, o que foi evidenciado por análises recentes.
Esse cenário contrasta com 2022, quando Jair Bolsonaro (PL) recebeu apoio formal do PP e Republicanos antes das convenções. Naquele ano, Lula também teve o suporte de uma frente de centro-esquerda, que agora se desfez com a saída de partidos como Avante e Solidariedade.
O menor número de alianças impacta especialmente Flávio Bolsonaro, que esperava contar com o apoio do Centrão para ampliar seu tempo de propaganda eleitoral. O tempo de propaganda é calculado com base no número de representantes eleitos, e a federação entre União Brasil e PP deve liderar com cerca de 20,78% do total.
Por outro lado, Lula tem o apoio da federação formada por PT, PC do B e PV, além do endosso de PSB, PDT e PSOL-Rede. Essa é a primeira vez em 12 anos que o PDT apoia um candidato petista no primeiro turno, algo que não ocorria desde 2014.
Os partidos do Centrão buscam replicar o sucesso das eleições municipais de 2024, quando conseguiram eleger prefeitos em 63% das cidades brasileiras. Com uma forte presença em prefeituras e câmaras municipais, o grupo espera ter um papel significativo no segundo turno.
A neutralidade é uma estratégia pragmática que visa manter as portas abertas para negociações com o futuro presidente, independentemente do resultado das eleições. O Centrão já fez parte de diversos governos, incluindo a gestão de Lula, demonstrando sua flexibilidade política.
O PL enfrenta dificuldades para formar alianças, especialmente após a escolha de Flávio Bolsonaro como candidato. A expectativa inicial era de uma coligação ampla, mas a falta de apoio do Centrão complica essa estratégia. Recentemente, Flávio teve desavenças públicas e enfrenta desafios relacionados a sua imagem.
Enquanto isso, Lula também enfrenta um cenário desafiador, com a perda de aliados importantes que podem impactar sua campanha. A construção de uma nova frente ampla está sendo discutida, focando na soberania e na união de forças em torno de temas relevantes para o país.
Diante da polarização entre os grandes candidatos, outras figuras políticas tentam se posicionar como uma “terceira via”, buscando alternativas viáveis para os eleitores.
