A agência estatal IRNA classificou como 'totalmente diversionista e enganosa' reportagem do The New York Times. O jornal dizia que o Irã rejeitou um cessar-fogo temporário de 10 dias apresentado pelo Iraque; Teerã nega a versão.
O Irã contestou uma reportagem do jornal americano The New York Times, publicada na quinta-feira (23), que afirmava que o país teria rejeitado um acordo de cessar-fogo dos Estados Unidos, apresentado pelo Iraque. A matéria foi classificada como “totalmente diversionista e enganosa” pela agência estatal de notícias IRNA.
A reportagem indicou que o Irã não demonstrou interesse em um acordo temporário que deixasse sem solução a questão do controle do Estreito de Ormuz, citando autoridades iranianas. Segundo a IRNA, a proposta previa um “cessar-fogo temporário de 10 dias”, mas detalhes completos da medida não foram divulgados.
“O Irã sempre atribuiu valor intrínseco à diplomacia”, declarou uma autoridade iraniana não identificada.
O primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaidi, visitou Teerã na quinta-feira, após se reunir com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca, no início da semana passada. Antes da visita, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, reafirmou que Teerã não buscava mais mediação com Washington.
Paralelamente, Trump indicou que ainda não estava preparado para negociar um novo cessar-fogo com o Irã, afirmando que “eles precisam de mais do mesmo” após dias de ataques aéreos. O CENTCOM (Comando Central dos EUA) informou que as forças armadas estavam realizando mais ataques contra o Irã, caracterizando como a 13ª noite consecutiva de ações destinadas a responsabilizar o país e reduzir as ameaças do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica ao transporte marítimo comercial.
Na madrugada desta sexta-feira (24), a mídia estatal iraniana reportou a morte de pelo menos quatro pessoas em decorrência dos ataques dos EUA, que atingiram diversas áreas do Irã.
Em meio à crescente tensão entre os países, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, comentou sobre a utilização de ativos iranianos apreendidos pelo governo dos EUA para indenizar danos causados a navios. Ele afirmou que “confiscar os ativos de outra nação para pagar futuras reivindicações não relacionadas cria um precedente incendiário”.
“Aqueles que comemoram ou lucram com esses recursos devem se lembrar: quando governos passam a normalizar o confisco de ativos, o patrimônio de ninguém estará seguro”, escreveu Araghchi em uma publicação na rede social X.
