Em Manila, Kaja Kallas afirmou que os EUA não têm base para justificar novas tarifas contra produtos europeus e classificou como infundadas acusações sobre trabalho forçado. Ela citou férias pagas e melhores condições no bloco.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, questionou a justificativa dos Estados Unidos para a imposição de novas tarifas sobre produtos europeus. Durante uma declaração feita nesta sexta-feira (24), à margem das reuniões da ASEAN, em Manila, Kallas afirmou que as alegações de que o bloco não combate adequadamente o trabalho forçado são infundadas.
“Não se pode dizer isso da União Europeia”, afirmou Kallas.
Ela também destacou as diferenças nas leis trabalhistas entre a União Europeia e os Estados Unidos, ressaltando que o bloco oferece férias remuneradas e boas condições de trabalho para seus empregados. Kallas concluiu que a justificativa americana realmente carece de fundamento.
As novas tarifas, de 10% e 12,5%, foram impostas pelo governo do presidente Donald Trump sobre produtos de 60 parceiros comerciais, incluindo a União Europeia, e começaram a valer nesta sexta-feira, coincidindo com o fim de uma tarifa global temporária de 10%.
Quando questionada se a União Europeia esperava ser afetada por essa medida, Kallas respondeu:
“Quem consegue acompanhar essas tarifas que entram e saem de cena? Não, não esperávamos isso.”
Por outro lado, a Noruega informou que não pretende impor tarifas sobre importações dos Estados Unidos em resposta à nova tarifa de 12,5% sobre produtos noruegueses, conforme declarado pelo ministro das Relações Exteriores do país, Espen Barth Eide, à emissora pública NRK.
As tarifas representam uma das ações mais recentes de Trump para cumprir sua proposta de campanha de aumentar a aplicação de tarifas em nível global. No início deste ano, a Suprema Corte dos Estados Unidos havia anulado as chamadas “tarifas recíprocas” que foram impostas com base em poderes de emergência, que visavam reduzir o déficit comercial americano.
Kallas também afirmou que a União Europeia buscará esclarecimentos com Washington, considerando que o bloco cumpriu os compromissos do acordo comercial transatlântico firmado no ano anterior e recebeu as novas tarifas com surpresa.
“Tínhamos um acordo com os Estados Unidos e cumprimos a nossa parte. Por isso, é uma surpresa negativa que esse acordo não esteja sendo respeitado.”
A Suíça, que também foi impactada pelas tarifas, rejeitou as alegações que motivaram a investigação sobre trabalho forçado. O governo suíço afirmou que a decisão dos EUA de impor tarifas adicionais não é compreensível nem justificada. A associação empresarial Economiesuisse declarou que não há evidências de que produtos fabricados na Suíça estejam sendo produzidos com trabalho forçado e que o trabalho forçado já é proibido pelas leis do país.
A nova alíquota tarifária, segundo a Economiesuisse, coloca empresas suíças em desvantagem em relação a concorrentes de regiões com tarifas mais baixas, como a União Europeia e o Reino Unido, e aumenta os custos das exportações suíças.
