Ataques americanos ao Irã e ameaça de bloqueio de rotas marítimas elevam a tensão global. Segundo Sandro Moita, da Eceme, Trump mira em aumentar pressão para levar Teerã de volta à mesa diplomática.
A crise entre os Estados Unidos e o Irã ganhou novos e complexos desdobramentos com os recentes ataques americanos ao território iraniano e a ameaça de bloqueio de importantes rotas marítimas estratégicas para o transporte mundial de petróleo.
De acordo com Sandro Teixeira Moita, professor de Ciências Militares da Eceme (Escola de Comando e Estado-Maior do Exército), Donald Trump está deliberadamente escalando o conflito como uma forma de pressionar os iranianos a retornarem à mesa de negociações.
O comando central dos Estados Unidos comunicou o encerramento do 13º dia de ataques ao Irã, ofensiva que atingiu pesadamente o litoral iraniano e regiões produtoras de petróleo do país. Para Moita, essa escalada é intencional.
“Trump está escalando para criar uma crise e forçar os iranianos a negociar”, afirmou o especialista.
No entanto, o analista ressalta que, apesar do sucesso tático americano, os ataques não foram suficientes para eliminar, em nível estratégico, a capacidade iraniana de fechar o Estreito de Ormuz.
Nesse cenário, o Irã teria lançado mão de outra carta geopolítica: o apoio aos Houthis do Iémen para o bloqueio do Estreito de Bab el-Mandeb, ponto crucial para o transporte marítimo global. Moita destacou que essa crise
“estava contratada há algum tempo”.
Recentemente, um ataque ao aeroporto de Sanaa chamou atenção por suas circunstâncias incomuns. Agências internacionais de notícias divulgaram que havia no local uma delegação da Guarda Revolucionária iraniana, composta por algo entre 10 e 25 oficiais — entre técnicos e militares de alta patente —, que teriam levado componentes e planos aos Houthis para viabilizar o bloqueio.
Para o especialista, a estratégia iraniana consiste em utilizar a
“arma da geografia”,
pressionando o fornecimento de energia para gerar um choque na economia global e impor custos aos americanos.
“Os americanos estão correndo contra o tempo, tentando utilizar uma maneira de coagir o Irã”,
explicou Moita. O analista alerta, porém, que ambos os lados acreditam estar em posição de vantagem — o que ele chamou de upper hand —, o que torna as perspectivas de negociação pouco favoráveis no momento atual.
Segundo Moita, o Irã se sente em posição de força justamente por deter a carta dos estreitos, enquanto os americanos apostam na pressão militar para dobrar a resistência iraniana.
