Relatório divulgado nesta quinta em Brasília revela que pilotos trocavam conversas pessoais e não acionaram o sistema de degelo, mesmo com alertas. A falha contribuiu para a queda do voo 2287 em agosto, em Vinhedo (SP).
Um relatório do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), divulgado nesta quinta-feira (23) em Brasília, traz novos detalhes sobre a queda do voo 2287 da VoePass, que ocorreu em agosto de 2024 em Vinhedo, São Paulo. De acordo com o documento, os pilotos estavam conversando sobre assuntos pessoais no momento do acidente, o que pode ter contribuído para a fatalidade.
O relatório revela que os pilotos esqueceram de acionar o sistema de degelo da aeronave, mesmo com alertas emitidos pelo avião indicando a necessidade de ativação do sistema. Durante a investigação, o tenente-coronel Paulo Mendes Fróes explicou que o comandante afirmou que poderia ligar os sistemas de degelo, mas, apesar da conversa, o sistema permaneceu desligado.
“O comandante comentou que ele poderia ligar todos os sistemas de de-icing [sistema de degelo]. O copiloto, então, questiona o que o comandante teria dito. E o comandante respondeu que já tinha ligado todos os sistemas de de-icing. Porém, o sistema permaneceu desligado”,
afirmou o tenente-coronel Fróes. A investigação apontou que a aeronave acionou diversas vezes o alerta electronic ice detector, que indica condições favoráveis para o acúmulo de gelo. Esse alerta deveria ter levado a ações específicas, como mudança de velocidade e acionamento do sistema de degelo.
Apesar de os tripulantes terem passado pelos treinamentos necessários para operar a aeronave em situações de formação de gelo severo, o relatório destaca que as ações observadas durante o voo não corresponderam ao nível mínimo de proficiência esperado. Não houve uma resposta adequada aos alertas recebidos.
O voo 2283 da VoePass tinha decolado de Cascavel (PR) no dia 9 de agosto de 2024, com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos. Durante a aproximação a São Paulo, o ATR 72-500 perdeu rapidamente sustentação e colidiu com um condomínio residencial em Vinhedo. Na tragédia, as 62 pessoas a bordo, incluindo 58 passageiros e quatro tripulantes, perderam a vida.
Os primeiros dados da investigação mostraram que a aeronave enfrentava condições severas de formação de gelo. O piloto chegou a relatar problemas no sistema de degelo, enquanto os gravadores registraram alertas como Cruise Speed Low e Degraded Performance, indicando uma perda progressiva de desempenho da aeronave.
