O governo dos EUA anunciou um pacote de tarifas que atinge mais de 80 países, incluindo o Brasil. A medida, confirmada pelo USTR em 23/07/2026, aplica 12,5% a determinados produtos exportados aos EUA.
O governo dos Estados Unidos anunciou um novo pacote de tarifas que afetará mais de 80 países, incluindo o Brasil. Essa decisão se baseia na alegação de que essas nações se beneficiam comercialmente de produtos associados ao trabalho forçado.
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) confirmou a nova medida na quinta-feira, 23 de julho de 2026. Com essa mudança, o Brasil enfrentará uma taxa adicional de 12,5% sobre determinados produtos exportados para o mercado americano. A correspondente da CNN em Washington, Mariana Janjácomo, destacou que as novas tarifas impactam praticamente todos os parceiros comerciais dos EUA, abrangendo 99,4% das importações americanas.
A nova estrutura tarifária substitui a tarifa global de 10% que havia sido imposta anteriormente com base na Seção 122, que permitia a taxação de outros países com base em discrepâncias na balança comercial. Essa justificativa já havia sido amplamente questionada, e o prazo para a vigência da Seção 122, que era limitado a 150 dias sem a aprovação do Congresso, expirou na madrugada do dia 23.
“Já havia a expectativa de que Donald Trump encontraria um outro mecanismo para continuar tarifando todos esses parceiros comerciais”, comentou Mariana Janjácomo.
A nova abordagem utiliza a Seção 301, que permite a aplicação de tarifas com a justificativa de que os países afetados não possuem normas adequadas para impedir a circulação de produtos elaborados com trabalho forçado. O analista de Internacional da CNN, Lourival Sant’Anna, destacou que a estratégia central do governo americano permanece a mesma, apenas o mecanismo de aplicação das tarifas foi alterado.
“O que ele foi mudando foi só o mecanismo. Ele está aplicando tarifa de 10% contra todo mundo, no mínimo, desde o dia 2 de abril”, afirmou Sant’Anna.
A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos já havia anulado a justificativa da lei de emergência econômica, e o presidente Donald Trump indicou que procuraria outras bases legais para manter a política de tarifas. Os países afetados foram organizados em categorias. Aqueles com algum tipo de proteção contra a circulação de bens produzidos com trabalho forçado estão sujeitos a uma tarifa de 10%, enquanto o Brasil foi colocado na categoria geral, com uma alíquota de 12,5%.
Para reduzir essa alíquota para o mínimo de 10%, o Brasil precisaria fazer um compromisso explícito e público de não aceitar o trabalho forçado em sua cadeia de valor. É importante ressaltar que essa medida não implica que o trabalho forçado seja uma realidade no Brasil, mas sim que, de acordo com a percepção americana, o país adquire produtos que podem incluir essa prática em suas cadeias de valor.
O foco principal dessa política tarifária parece ser a China, seguida por outros países do Sudeste Asiático e da África, onde as condições de trabalho são consideradas inferiores aos padrões da Europa e dos Estados Unidos. “O objetivo com certeza é atingir a China”, concluiu Sant’Anna.
