A empresa discutiu com autoridades chilenas proposta para vender medicamentos e atuar como farmácia, o que exigirá alterações na legislação local. Foram ao menos seis reuniões nos últimos meses.
O Mercado Livre discutiu uma proposta com autoridades do Chile para operar como farmácia no país. Essa iniciativa exigirá mudanças nas regulamentações locais, conforme registros de reuniões realizadas entre as partes nos últimos meses.
A proposta representa um passo importante do Mercado Livre na expansão de suas operações de varejo, aprofundando sua atuação no setor farmacêutico, seguindo um projeto-piloto semelhante já realizado no Brasil.
A empresa, que é uma das maiores do setor na América Latina em valor de mercado, reuniu-se com autoridades chilenas pelo menos seis vezes no último ano. As atas das reuniões revelaram o plano de operar um modelo de farmácia exclusivamente online no Chile.
Atualmente, no Chile, assim como em outros mercados como Argentina e México, o Mercado Livre comercializa medicamentos apenas de vendedores terceiros. Após as reuniões, o Ministério da Saúde do Chile recomendou que a empresa busque uma avaliação técnica do regulador local, o ISP (Instituto de Saúde Pública). Tal recomendação se deu uma vez que a proposta do Mercado Livre exige alterações regulatórias ou reinterpretações das normas vigentes.
Em resposta a um pedido de comentário, o ISP não informou se o Mercado Livre já solicitou essa avaliação. O órgão também destacou que a empresa não possui autorização para operar uma farmácia própria no Chile e que as regulamentações atuais não permitem farmácias exclusivamente online.
O Ministério da Saúde do Chile não respondeu aos pedidos de comentário sobre o assunto. Entretanto, o Mercado Livre afirmou em comunicado que está trabalhando para expandir gradualmente sua oferta na área de saúde, adaptando-se à estrutura regulatória de cada mercado.
Recentemente, a empresa aumentou os investimentos em operações próprias de varejo, incluindo segmentos como beleza e eletrodomésticos, como parte de uma estratégia de negócios mais ampla e de longo prazo. Essa estratégia, no entanto, pressionou as margens da empresa, resultando em uma queda de quase 11% nas suas ações neste ano, com cada ação valendo US$ 1.799.
No Brasil, seu maior mercado, o Mercado Livre adquiriu uma farmácia física no ano passado, pois as normas locais exigem uma presença física para a venda de medicamentos. A empresa iniciou um projeto-piloto em São Paulo em março, vendendo produtos que não precisam de prescrição médica e prometendo entrega em um prazo médio de até três horas.
A proposta para o Chile também inclui entregas em “poucas horas em algumas regiões”, conforme registros de uma reunião realizada em setembro. Embora o Chile não esteja entre os principais mercados do Mercado Livre, uma implementação bem-sucedida do projeto no país poderia servir como modelo para a expansão pela América Latina.
