A tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre alguns produtos brasileiros entra em vigor hoje, 22 de julho de 2026. A medida foi anunciada após uma investigação do governo americano, que concluiu que o Brasil adota práticas que, segundo eles, onera ou restringe o comércio com os EUA. Exemplos citados incluem o sistema de pagamentos PIX e a regulação de plataformas digitais.
O governo brasileiro contestou as justificativas, considerando a tarifa uma tentativa de interferência em questões internas, classificadas como inegociáveis. Em Brasília, a avaliação é de que a medida tem motivação política.
A nova taxa não inclui uma lista considerável de produtos, como petróleo, café e carne bovina, mas afetará setores como etanol, máquinas agrícolas e papel. A tarifa adicional alcançará cerca de 3 mil itens e será cobrada dos importadores americanos assim que os produtos brasileiros entrarem nos EUA. Isso pode aumentar os custos e desestimular as compras por empresas americanas.
Entre os principais produtos exportados pelo Brasil, itens como petróleo bruto, café em grão e carne bovina não serão taxados. No entanto, produtos como máquinas industriais, pneus e açúcar passam a estar sujeitos à tarifa. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços afirmou que o tarifaço atingirá 18% das exportações brasileiras para os EUA, o que representa cerca de US$ 7,4 bilhões.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil estima que o tarifaço poderá impactar R$ 4,6 bilhões por ano em exportações do agronegócio, o que equivale a 36,5% das vendas do setor para os EUA. Apesar dos setores afetados, o ministro da Fazenda comentou que a medida não terá um impacto geral sobre a economia do Brasil.
A decisão dos EUA é resultado de uma investigação do Representante de Comércio dos Estados Unidos, que considera algumas políticas brasileiras prejudiciais ao comércio. O relatório final menciona temas como o sistema de pagamentos e a regulação de plataformas digitais, além de críticas a acordos comerciais e ao desmatamento ilegal.
O governo brasileiro criticou a tarifa, chamando-a de um “marco lastimável” nas relações entre os dois países. O presidente Lula orientou que os aliados evitem radicalismos na resposta à medida, enquanto o vice-presidente a considerou “injusta e descabida”. O governo também anunciou a intenção de acionar a Lei da Reciprocidade Econômica, que permite retaliações a países que impõem barreiras comerciais.
