Itabaiana · sábado · 10 de outubro de 2026
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No primeiro semestre de 2026, as exportações de vinho brasileiro para os Estados Unidos sofreram uma queda de 39,6%, de acordo com dados da Comex Stat, órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC). Esse recuo se destaca em meio à trajetória de crescimento que o vinho brasileiro vinha alcançando no mercado internacional.

Em termos de valores, as vendas de vinho passaram de US$ 750,9 mil para US$ 453,9 mil, resultando em uma diminuição de aproximadamente US$ 297 mil. Essa redução está relacionada à implementação de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, cujas medidas foram anunciadas ao longo de 2025 e ampliadas em 2026.

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O mercado norte-americano é considerado estratégico para as vinícolas do Brasil. Sendo o maior importador de vinhos do mundo, os Estados Unidos atraem consumidores de alto poder aquisitivo e são vistos como uma vitrine importante para a consolidação do vinho brasileiro no exterior. Entretanto, especialistas do setor reconhecem que este mercado é extremamente competitivo, caracterizado por regras estaduais específicas de comercialização e uma desaceleração no consumo de vinho.

A vinícola Salton relatou que também sentiu os impactos do novo cenário tarifário. Historicamente, os Estados Unidos têm sido um dos principais mercados internacionais da empresa, que se destaca na presença em grandes redes varejistas como Total Wine, ABC Liquors e Fogo de Chão. Em resposta às restrições comerciais, a Salton acelerou sua estratégia de diversificação internacional, ampliando a atuação em mercados como China, Maldivas, países africanos e, mais recentemente, Filipinas. Além disso, a empresa revisou rotas logísticas e adotou mecanismos de proteção cambial para manter sua competitividade. Nos últimos seis anos, a Salton informou ter exportado mais de 6 milhões de garrafas.

A Miolo, outra importante exportadora brasileira, adotou uma postura cautelosa diante do cenário atual. A vinícola reconhece que os Estados Unidos continuam a ser o maior mercado importador de vinhos do mundo, com grande potencial de crescimento. No entanto, as incertezas geradas pelas tarifas dificultam o planejamento a longo prazo. Lucio Motta, Export Manager da Miolo Wine Group, destacou que a complexa estrutura de distribuição do mercado americano, baseada no sistema de “três níveis” envolvendo importadores, distribuidores e varejistas, se soma à retração global no consumo de vinhos. Esse cenário exige a revisão de políticas de preços e gera insegurança para importadores e novos parceiros comerciais.

Motta também mencionou que a Miolo tem mantido novos investimentos para consolidar sua marca nos Estados Unidos e recentemente iniciou uma nova parceria de distribuição na Costa Oeste, com expansão prevista para estados como Massachusetts, Nova York, Nova Jersey e Flórida. Contudo, o novo aumento de tarifas em 2026 exigirá novas negociações.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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