Itabaiana · sexta-feira · 17 de julho de 2026
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Uma recente descoberta da Polícia Federal revelou uma lista com os nomes de 61 políticos do Rio de Janeiro, encontrada na mesa de cabeceira de Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. As anotações indicam valores que, somados, ultrapassam R$ 20 milhões e podem sugerir que candidatos receberam recursos provenientes do jogo do bicho nas eleições de 2022.

Os documentos foram apreendidos durante a Operação Smoke Free em 2022 e agora ganharam nova relevância na quinta fase da Operação Unha e Carne, que aconteceu neste mês. A partir dessas planilhas, a Polícia Federal começou a investigar a conexão entre empresas gráficas contratadas por campanhas eleitorais e o grupo de Adilsinho.

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De acordo com a PF, os 61 políticos mencionados nas planilhas não foram alvo das buscas realizadas recentemente. No entanto, a investigação está em andamento, cruzando dados para determinar a origem dos recursos e a regularidade das despesas declaradas à Justiça Eleitoral.

O esquema de financiamento eleitoral pode ter envolvido seis empresas gráficas que teriam sido utilizadas pelo grupo criminoso:

  • Gráfica Editora Completa;
  • Nova Visual Representações Gráficas;
  • INC Indústrias Gráficas e Editora;
  • Apel Gráfica e Editora;
  • Fast Gráfica e Editora;
  • Paper Color Gráfica e Editora.

A suspeita é de que os candidatos teriam contratado a produção de materiais de campanha com essas empresas, mas o pagamento teria sido feito pelo grupo ligado ao jogo do bicho, não pelos próprios políticos. A Gráfica Editora Completa é considerada a principal empresa utilizada, atendendo 73 candidatos e movimentando R$ 1,4 milhões, quase todo proveniente de recursos públicos.

“Durante o pleito eleitoral de 2022, a referida gráfica atendeu a 73 candidatos e movimentou a quantia de R$ 1.488.019,65, oriunda quase em sua totalidade de fundos públicos eleitorais”,

detalha um trecho do documento da PF. As empresas foram alvo de mandados de busca e apreensão na quinta fase da Operação Unha e Carne. Quatro delas já haviam sido investigadas anteriormente durante a Operação Smoke Free, que levou à prisão de Adilsinho.

A investigação aponta que o bicheiro e pessoas de sua confiança tinham relações financeiras intensas com os donos dessas gráficas. Um exemplo é a Companhia Sulamericana de Tabacos, que fez 47 transferências para a Apel Gráfica, totalizando R$ 1,8 milhão. Além disso, Bernardo Coutinho Loyola, sobrinho de Adilsinho, recebeu R$ 300 mil da mesma empresa.

A relação entre as gráficas e os políticos foi descoberta através de duas planilhas manuscritas encontradas na mesa de Adilsinho, que continham os nomes dos 61 candidatos, valores e observações sobre modalidades de pagamento. O total registrado nas anotações é superior a R$ 20 milhões.

A PF argumenta que a estrutura financeira da organização criminosa foi utilizada para financiar campanhas e favorecer agentes públicos. A comparação entre as anotações apreendidas e as prestações de contas oficiais revelou uma convergência de dados, indicando que a organização injetava dinheiro diretamente nas campanhas de candidatos que, posteriormente, atuavam em defesa do grupo nos Poderes Legislativo e Executivo.

“O confronto entre os manuscritos apreendidos e as prestações de contas oficiais declaradas ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro revelou perfeita convergência de dados, reforçando a hipótese investigativa de que a organização criminosa injetava dinheiro em espécie diretamente nas campanhas de candidatos que, posteriormente, atuavam como defensores dos interesses do grupo nos Poderes Legislativo e Executivo.”

Na última fase da operação, foram cumpridos mandados de prisão contra Adilsinho, o ex-chefe da Polícia Civil Márcio Pôncio e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar. Bacellar foi transferido para um presídio federal em Brasília por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que alegou que ele estaria recebendo privilégios mesmo preso.

A defesa de Rodrigo Bacellar negou qualquer envolvimento com investigações ou favorecimento a organizações criminosas, afirmando que ele sempre atuou na legalidade. A defesa de Bernardo Loyola declarou que não teve acesso aos autos e que seu cliente desconhece os pagamentos mencionados.

A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária informou que não foi oficialmente comunicada sobre as recentes ações.

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