Itabaiana · terça-feira · 22 de setembro de 2026
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Novos bombardeios israelenses no Líbano deixaram 16 mortos e acendem alerta sobre o frágil entendimento diplomático entre Washington e Teerã. Hezbollah disparou mais de 50 projéteis antes da ofensiva.

No dia 20 de junho de 2026, Israel realizou novos ataques no Líbano, apesar do cessar-fogo recentemente estabelecido com o Hezbollah. Os combates resultaram na morte de pelo menos 16 pessoas. O Exército libanês afirmou que as operações israelenses visam obstruir os esforços para restaurar a estabilidade no país.

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Os ataques ocorreram em resposta ao lançamento de mais de 50 projéteis pelo Hezbollah contra forças israelenses no sul do Líbano. Essa escalada de hostilidades coloca em risco o acordo firmado entre os Estados Unidos e o Irã, que busca encerrar os conflitos em todas as frentes, incluindo o Líbano.

“A fragilidade está no fato deste acordo ser um combinado bilateral entre os Estados Unidos e o Irã. Ele não envolve um outro personagem importante desse conflito: Israel”, afirmou Sidney Leite, especialista em conflitos do Oriente Médio, em entrevista ao Agora CNN.

Leite destacou que Israel não participou das negociações e não será convidado para a assinatura do acordo. Ele observou que o governo israelense, sob a liderança de Benjamin Netanyahu, mantém um projeto político que justifica a continuidade dos ataques ao Líbano, alegando que o país está sempre sob ameaça.

“Não há intenção do governo Netanyahu de cessar os ataques ao Líbano”, afirmou Leite, ressaltando que a vitória diplomática do Irã está em ter conseguido incluir o Líbano nas negociações.

O especialista também comentou sobre as tensões entre Washington e Tel Aviv, argumentando que as hostilidades entre Israel e Líbano já prejudicaram a relação entre os dois países. Leite observou que o vice-presidente americano J.D. Vance expressou publicamente sua insatisfação com Israel, afirmando que os EUA são o único governo que apoia o país e que não deveria haver confrontos com Washington.

“Os Estados Unidos perceberam tardiamente que a incursão no Irã interessava muito mais aos objetivos do governo de Israel do que propriamente aos interesses norte-americanos”, disse Leite.

Sidney Leite também detalhou os termos do acordo de 14 pontos, descrevendo-o como favorável ao Irã. Ele apontou que mísseis de médio e longo alcance do Irã não foram incluídos no acordo e que o país deverá receber um fundo de 300 bilhões de dólares para reconstrução, além da devolução de ativos em países aliados dos EUA.

“Na verdade, este acordo só traz um ponto altamente benéfico para os Estados Unidos: a liberação do Estreito de Hormuz”, destacou Leite, acrescentando que a situação representa um desafio para os interesses estratégicos dos EUA.

O especialista também mencionou a pressão política e econômica que levou os Estados Unidos a aceitar o acordo, citando o impacto do fechamento do Estreito de Hormuz sobre os preços do petróleo e a inflação, além das eleições de meio de mandato nos EUA.

“Foi uma guerra altamente impopular, só 12% da população americana apoiou este conflito”, concluiu Leite.

Fontes indicaram que representantes do governo dos Estados Unidos devem se reunir na Suíça neste fim de semana com autoridades iranianas, buscando avançar em direção a um acordo de paz. O memorando de 14 pontos continua sendo a base das negociações em andamento.

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