Itabaiana · terça-feira · 22 de setembro de 2026
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Bancos centrais anunciam política monetária nesta quarta (17) sob pressão da inflação. Acordo preliminar entre EUA e Irã no Oriente Médio traz alívio, mas incertezas persistem.

Os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos anunciarão nesta quarta-feira (17) suas decisões de política monetária em um momento caracterizado por inflação elevada e incertezas geopolíticas.

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O cenário de indefinição recebeu novos contornos nesta semana, após os governos dos EUA e do Irã confirmarem um acordo preliminar para encerrar o conflito no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz, um canal crucial para o abastecimento de petróleo global.

Embora essa novidade traga alívio aos investidores globais, a falta de informações concretas sobre os termos e a viabilidade do acordo mantém uma dose de cautela no ar, e essa situação não deve impactar os resultados esperados para as decisões desta Superquarta.

A expectativa predominante no mercado é de que o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central do Brasil reduza a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, passando a 14,25% ao ano. Por outro lado, o Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto) do Federal Reserve dos EUA deve manter a taxa entre 3,5% e 3,75%, marcando a quarta reunião consecutiva com taxas inalteradas.

Especialistas consultados destacam que, mais importante do que as decisões em si, serão os comunicados das autoridades monetárias e os sinais sobre os próximos passos em suas políticas de juros.

Nos dois países, a inflação permanece acima do desejado, enquanto incertezas geopolíticas e fiscais dificultam a redução das taxas de juros. No Brasil, a principal dúvida é se o corte esperado marcará o fim do atual ciclo de afrouxamento monetário.

As avaliações de grandes instituições financeiras indicam que o espaço para novas reduções está se tornando cada vez mais restrito. A XP Investimentos, por exemplo, apontou que “o fluxo de dados e notícias econômicas desde a última reunião do Copom indica deterioração adicional no cenário de inflação” e que o Comitê deve adotar uma postura mais cautelosa.

A combinação de atividade econômica mais forte, estímulos fiscais, desvalorização cambial e expectativas de inflação elevadas aumentaram os riscos para a convergência da inflação à meta. “Acreditamos que os dados e notícias econômicas recentes sugerem cautela adicional na condução da política monetária e podem convencer os membros do Copom a pausar o ciclo de flexibilização em breve”, destacou o relatório da XP.

Além disso, o Goldman Sachs também prevê um corte de 0,25 ponto, mas admite chances significativas de manutenção da Selic. O banco considera que o cenário continua desafiador, levando em conta a inflação elevada.

“Embora a taxa de juros real preliminar ainda esteja bastante elevada, a margem de manobra para cortes nas taxas é muito limitada”, afirmou o relatório do Goldman Sachs.

Em entrevista, Luiz Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners, ressaltou que o cenário externo se tornou mais favorável para uma redução da taxa básica de juros após a diminuição das tensões no Oriente Médio.

“Até a semana passada, o mercado estava muito nervoso e havia eliminado qualquer chance de corte nessa reunião. Com esse acordo, o cenário melhorou e parece que o ambiente se tornou mais propício para um corte de 0,25%”, avaliou.

Entretanto, Leal alertou que a inflação atual está acima do teto da meta e as expectativas de longo prazo continuam desancoradas. Programas de estímulo ao crédito e medidas voltadas ao aumento da demanda limitam o espaço para cortes.

Nos Estados Unidos, a expectativa é de manutenção dos juros por parte do Fed, que ainda enfrenta desafios para reduzir a inflação à meta de 2%. Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad, afirmou que um consenso se formou em torno da ideia de que o Fomc não deve alterar as taxas de juros nesta reunião.

“Se o cenário macroeconômico não mudar de forma relevante, não deveremos ter alterações nos Fed Funds por um bom tempo”, disse Igliori.

Em março, a maioria dos dirigentes do Fed projetava dois cortes de juros ao longo do ano, mas agora os investidores buscam entender se esse cenário permanece válido, considerando as incertezas em relação ao acordo de paz no Oriente Médio, que podem influenciar as perspectivas dos preços de energia.

Leal também destacou que a reunião do Federal Reserve desta semana terá duas características relevantes. A primeira é que será uma reunião de fim de trimestre, onde os membros do Fed divulgarão suas projeções para PIB, inflação, desemprego e trajetória de juros.

A segunda característica é que essa será a primeira reunião sob a liderança de Kevin Walsh, o que pode trazer novas diretrizes para as políticas futuras.

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