Itabaiana · terça-feira · 22 de setembro de 2026
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A Pax captou US$ 40 milhões em rodada seed liderada por grandes fundos globais. O aporte, um dos maiores da América Latina, vai financiar plataforma de IA para forças de segurança no Brasil.

A startup brasileira Pax levantou cerca de R$ 200 milhões, ou US$ 40 milhões, em uma rodada seed, liderada pelos fundos Greenoaks e Benchmark. Este aporte é considerado uma das maiores captações desse tipo na América Latina. A empresa tem como objetivo desenvolver uma plataforma de inteligência artificial (IA) voltada para as forças de segurança pública e pretende utilizar os recursos para expandir sua atuação no Brasil.

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A captação ocorre em um cenário de maior seletividade no mercado de venture capital. No entanto, Fernando Czapski, cofundador da Pax, acredita que o tamanho do aporte reflete a gravidade do problema que a empresa busca enfrentar. “A inteligência artificial é uma tecnologia poderosa e deveria ser usada para nos ajudar a resolver os grandes problemas da humanidade. No Brasil, segurança pública é o maior deles”, afirmou Czapski em entrevista.

“Os investidores entenderam o tamanho desta missão, combinada com a qualidade dos engenheiros brasileiros que fazem parte da Pax, muitos voltando ao Brasil depois de passarem por empresas como Google, Meta e Uber. O investimento foi expressivo porque o impacto é gigante e, onde existe impacto desse tamanho, também há uma grande oportunidade de negócio”, disse Czapski.

A primeira implantação em larga escala da plataforma aconteceu em Luziânia (GO), onde foi associada à redução de 27% dos crimes prioritários, como homicídios, roubos e furtos, em um período de seis meses. Durante esse mesmo tempo, a taxa de elucidação de crimes dobrou, e a sensação de segurança da população aumentou em 59%, de acordo com levantamentos da empresa.

Nos últimos doze meses, as forças de segurança que adotaram a tecnologia da Pax esclareceram mais de 2 mil casos em mais de 30 cidades brasileiras, envolvendo homicídios, roubos à mão armada e furtos de veículos.

“Se existem 10 milhões de crimes por ano no Brasil e nós conseguirmos reduzi-los em 27%, como aconteceu em Luziânia, seriam 2,7 milhões de crimes a menos. É um impacto massivo que pode ser alcançado”, afirmou o executivo.

A plataforma desenvolvida pela Pax integra câmeras, registros policiais e bases criminais em um único sistema de inteligência. Utilizando IA, a tecnologia cruza informações sobre pessoas, veículos, locais e ocorrências para gerar alertas e pistas investigativas em tempo real.

Segundo Czapski, atualmente as forças de segurança ainda lidam com dados fragmentados e uma infraestrutura tecnológica insuficiente. “A Pax nasceu justamente para atacar esse gargalo: conectar informações do mundo real e torná-las úteis em tempo real para apoiar o trabalho policial. É o ChatGPT da polícia”, destacou.

A empresa colabora com governos estaduais e municipais e enfatiza que seu crescimento dependerá da capacidade de gerar resultados concretos em cada nova implementação. Czapski disse: “A Pax não nasceu para crescer a qualquer custo. Nasceu para ajudar forças de segurança a resolverem casos mais rápido e reduzir crimes com apoio de inteligência artificial.”

Com dados que indicam que o custo total do crime e da violência no Brasil equivale a cerca de 6% do PIB (Produto Interno Bruto), ou mais de R$ 760 bilhões por ano, a startup vê uma grande oportunidade na integração de dados. “O processo de investigação policial é, acima de tudo, um problema de análise de dados e organização da informação. A IA é a tecnologia perfeita para resolver isso”, finalizou Czapski.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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