Fortaleza (CE) – Médicos de um hospital público da capital cearense conseguiram reimplantar as duas mãos da estudante Ana Clara Oliveira, de 23 anos, ferida durante uma tentativa de feminicídio ocorrida na madrugada de 1º de maio, em Quixeramobim, no sertão do estado.
Cirurgia de 12 horas e equipe de 15 profissionais
A operação, realizada logo após a vítima chegar a Fortaleza, durou cerca de 12 horas e mobilizou 15 profissionais, entre eles quatro especialistas em cirurgia da mão e microcirurgia. Dois microscópios cirúrgicos foram utilizados para que as equipes trabalhassem, simultaneamente, em cada membro.
Durante o procedimento foram reconstruídos ossos, nervos, tendões, artérias, veias e parte da pele. Posteriormente, a paciente passou por outras intervenções para tratar lesões na perna e reparar uma artéria de uma das mãos.
Atendimento rápido foi decisivo
O socorro começou ainda no local do crime, com uma equipe do Samu. Segundo o enfermeiro João Emanuel Negreiros, a mão amputada foi acondicionada em um saco plástico, sobre placas de gelo, sem contato direto com a água, o que preservou os tecidos e facilitou o reimplante.
Ana Clara foi transportada de ambulância por cerca de três horas até Fortaleza. Para recebê-la, o hospital cancelou cirurgias agendadas, medida que, de acordo com o médico Valberto Barbosa Filho, ampliou a disponibilidade de profissionais na emergência.
Recuperação apresenta sinais positivos
A estudante iniciou sessões de fisioterapia e terapia ocupacional no dia 15 de maio. Na primeira sessão já conseguiu movimentar os dedos, avanço considerado encorajador pela equipe de saúde. Os médicos estimam que a reabilitação levará vários meses, mas esperam a recuperação de grande parte dos movimentos.
Investigação aponta irmãos como autores do crime
A Polícia Civil indiciou os irmãos Ronivaldo Rocha dos Santos e Evangelista Rocha dos Santos por tentativa de feminicídio. Ronivaldo, então namorado da vítima, é apontado como o responsável pelo planejamento do ataque e por levar o irmão até a casa da jovem. Evangelista, segundo o inquérito, executou os golpes com uma foice.
Em depoimento, Evangelista admitiu a intenção de matar a vítima. O delegado Júlio César Grelli Lobo informou que um dos suspeitos é considerado executor e o outro, coautor.
Ataque registrado por câmeras
Imagens de segurança mostram os dois homens chegando ao imóvel. A vítima relatou que fingiu estar morta para sobreviver depois de ter as mãos decepadas. Ela também sofreu cortes profundos nos braços, pernas, costas, rosto e pescoço, mas conseguiu pedir ajuda a vizinhos após a fuga dos agressores.
Alerta sobre violência doméstica
Em recuperação, Ana Clara afirmou que pretende usar sua experiência para alertar outras mulheres sobre os riscos de relacionamentos abusivos. “Não esconda. Procure ajuda”, disse a jovem, recomendando apoio psicológico, familiar e policial a vítimas de violência.
