São Paulo, 18 de maio de 2026 – Executivos da iHeartMedia e da GroundTruth alertaram que a pressão por automação, métricas precisas e segmentação via inteligência artificial está acelerando a transformação do rádio para o ecossistema digital.
Em painel realizado na última semana durante o evento Possible, em Miami (EUA), Lisa Coffey, chief business officer da iHeartMedia, afirmou que a companhia trabalha para tornar o inventário do rádio compatível com os mesmos padrões de compra programática já consolidados em outras mídias. Segundo ela, embora o áudio represente cerca de um terço do consumo diário de mídia, o volume de investimento publicitário não acompanha esse peso.
Inventário fora do ambiente programático
Coffey destacou que aproximadamente 63% do inventário de áudio endereçável permanece fora das plataformas digitais de compra de mídia, criando um “descompasso” entre audiência e faturamento. A executiva defendeu a integração total do rádio aos sistemas que permitem planejar, comprar e mensurar campanhas de forma automatizada.
Rosie O’Meara, CEO da plataforma publicitária GroundTruth, reforçou a avaliação ao afirmar que o áudio continua subvalorizado em comparação ao tempo que o público dedica ao meio. Para ela, o mercado ainda não ajustou os investimentos de forma proporcional.
Parceria para atribuição de tráfego físico
A iHeartMedia e a GroundTruth vêm desenvolvendo, há quase dois anos, ferramentas de atribuição capazes de medir o tráfego físico gerado por campanhas em áudio. A iniciativa busca provar que o rádio pode atuar não apenas na construção de marca, mas também na geração de resultados de venda, aproximando-se dos indicadores já oferecidos por plataformas digitais.
O’Meara citou um case em que a inclusão do áudio a uma estratégia que já contava com TV conectada e mobile ampliou significativamente as vendas do anunciante.
Medição full funnel e alcance automotivo
De acordo com Coffey, marcas exigem cada vez mais relatórios que cubram toda a jornada do consumidor, do conhecimento à conversão. Nesse cenário, o alcance do rádio nos veículos é visto como ativo estratégico, pois impacta o público em momentos próximos à decisão de compra.
IA para segmentação e otimização
A GroundTruth, recém-adquirida pela ZeroToOne AI, aposta em modelos preditivos que antecipam intenção de compra. Coffey acredita que sistemas baseados em inteligência artificial vão reformular a forma como campanhas são estruturadas, tornando o processo mais ágil para anunciantes e agências.
Credibilidade humana como diferencial
Mesmo com a automação em alta, os executivos ressaltaram que o principal ativo do rádio continua sendo a conexão humana. Pesquisas internas da iHeartMedia apontam que 93% dos ouvintes preferem receber notícias de pessoas reais e 80% consideram o comunicador de rádio alguém próximo e confiável. Para Coffey, a autenticidade de mensagens lidas pelos apresentadores segue determinante para o desempenho publicitário.
No entendimento da executiva, a expansão dos comunicadores para redes sociais, podcasts e eventos ao vivo reforça essa credibilidade, diferenciando o meio em um ambiente digital marcado por conteúdos automatizados.
