Luiz Carlini, um dos nomes centrais da guitarra no Brasil, morreu em 7 de maio aos 73 anos. Conhecido pela trajetória com Rita Lee na banda Tutti Frutti, ele deixou solos marcantes em faixas como “Esse Tal de Roque Enrow”, “Ovelha Negra” e “Agora Só Falta Você”, gravadas na década de 1970 e consideradas pilares do rock nacional.
Carlini participou de mais de 400 discos, assinou projetos próprios e, nos últimos anos, integrava a banda de Guilherme Arantes. A morte ocorreu quase na mesma data em que Rita Lee se foi, três anos antes, reforçando a ligação simbólica entre os dois parceiros de palco e estúdio.
Homenagens de nomes consagrados
Artistas de diferentes estilos e idades reconheceram imediatamente a importância do guitarrista:
- Rafael Bittencourt (Angra) lembrou que viu em Carlini seu primeiro “herói” do instrumento no país e destacou a generosidade com que o veterano compartilhava conhecimento, chegando a mostrar detalhes do pedal steel guitar durante encontros informais.
- Faiska, referência da cena paulistana, contou que conhecia Carlini desde 1974 e que os dois voltaram a dividir o palco no início deste ano, na exposição Rock SP 360, ao lado de Lucinha Turnbull, Kleber K. Shima e Sérgio Hinds.
- Edu Ardanuy recordou os tempos em que ambos tocaram com Supla e classificou o solo de “Ovelha Negra” como “o mais icônico da guitarra brasileira”.
- Marcos Kleine (Ultraje a Rigor) destacou a combinação de talento e sensibilidade do amigo, que gravou lap steel na faixa “Eu Sou o Cara”, do álbum de estreia da PAD.
- Andreas Kisser (Sepultura), em turnê nos Estados Unidos, disse que a influência de Carlini é “imensurável” e sublinhou a capacidade de diálogo do músico com artistas de várias áreas.
- Jean Patton (Korzus) descreveu uma breve convivência que resultou em “lições de composição e carreira” fundamentais para sua trajetória no heavy metal.
- Yohan Kisser citou o impacto do álbum “Persona”, de Carlini, na adolescência e relembrou a participação do veterano com lap steel na faixa “A Tábua e o Metro”, lançada em 2024.
- Jéssica Falchi, representante da nova geração, contou que “Esse Tal de Roque Enrow” foi a primeira música que aprendeu em uma banda infantil, o que a levou a pesquisar a obra do guitarrista.
- Chris Dias (StarAce) recordou a convivência durante a divulgação do disco “Antologia Politicamente Incorreta dos Anos 80” com Lobão e ressaltou o apoio de Carlini aos colegas recém-chegados a São Paulo.
- Gabriel Thomaz (Autoramas) afirmou que o nome de Carlini é o primeiro que surge quando se fala em grande guitarrista de rock no Brasil, citando a presença constante do músico ao longo de cinco décadas.
Pioneirismo e influência duradoura
Elevado ao status de “guitar hero” por fãs e colegas, Carlini ajudou a popularizar o instrumento no país em um período em que importar ou dominar uma guitarra ainda era um desafio. Seu timbre bluesy, os riffs inconfundíveis e a versatilidade técnica atravessaram estilos que vão do hard rock ao heavy metal tradicional, chegando à cena independente contemporânea.
Com presença registrada em centenas de gravações e incontáveis apresentações ao vivo, o músico deixa um legado que segue inspirando novas gerações e reforça a história da guitarra brasileira.
Com informações de Tenho Mais Discos Que Amigos!
