Brasília – O governo da Alemanha confirmou que devolverá ao Brasil o fóssil do dinossauro Irritator challengeri, retirado de forma clandestina da Chapada do Araripe na década de 1990. O acervo está atualmente no Museu Estadual de História Natural de Stuttgart, no estado de Baden-Württemberg, e será repatriado após três décadas de disputas.
Nota conjunta oficializa a repatriação
Em comunicado divulgado nesta terça-feira (28/04/2026), os governos do Brasil e da Alemanha destacaram a “valorização da cooperação científica” e agradeceram a disposição da instituição alemã em devolver o material. Segundo o texto, o retorno do fóssil permitirá “benefício mútuo” para pesquisadores dos dois países.
Dinossauro viveu há cerca de 110 milhões de anos
O Irritator challengeri pertence ao grupo dos espinossauros. Media aproximadamente sete metros de comprimento, possuía focinho alongado e dentição adaptada à pesca, o que indica hábitos tanto terrestres quanto aquáticos. A espécie habitava a região que hoje compreende a divisa entre Ceará, Pernambuco e Piauí, reconhecida mundialmente pela riqueza fossilífera.
Contrabando nos anos 1990
O exemplar chegou à Alemanha após ser contrabandeado do Cariri. Antes de sair do país, contrabandistas adulteraram o crânio com massa plástica para aumentar o valor comercial da peça, adulteração identificada posteriormente por cientistas europeus.
Pesquisa volta ao Brasil
Com a repatriação, paleontólogos brasileiros terão acesso direto a um dos fósseis mais completos do grupo, considerado chave para compreender a morfologia e o comportamento dos espinossauros. O cronograma de transporte e a instituição que receberá o material no Brasil ainda serão definidos pelos órgãos responsáveis.
O retorno do Irritator challengeri encerra uma disputa que durou 30 anos e resgata parte importante da história geológica nacional.
