Porto Seguro (BA) – O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) confirmou, em abril, o nascimento dos primeiros filhotes de arara-vermelha-grande (Ara chloropterus) na Mata Atlântica após cerca de 200 anos sem registros da espécie no bioma.
O marco é resultado do Projeto de Reintrodução da Arara-vermelha-grande na Mata Atlântica, iniciado em 2022 pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama em Porto Seguro, sul da Bahia. As duas aves recém-nascidas já foram vistas voando, sendo alimentadas pelos pais e começando a buscar alimento de forma independente.
Como funciona a reintrodução
Sem populações selvagens na região, o projeto trabalha com araras criadas em cativeiro, obtidas por doações ou apreensões ligadas ao combate ao tráfico de fauna. Antes da soltura, os animais passam por:
- identificação com microchips e anilhas metálicas;
- quarentena e exames clínicos;
- treinamento em viveiros de voo para condicionamento físico, socialização e adaptação a frutos nativos;
- instalação de caixas-ninho artificiais para estimular o comportamento natural.
Área de soltura monitorada
O primeiro grupo de araras foi liberado em 2024 numa área de 7 mil hectares em estágio avançado de regeneração dentro da Estação Veracel, maior Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) de Mata Atlântica no Nordeste. Comedouros e ninhos artificiais foram instalados para facilitar a adaptação das aves.
Embora estudos apontem que a espécie possa demorar até cinco anos para se reproduzir após a soltura, alguns ninhos já estavam ocupados no primeiro ano. Em 2026, casais passaram a apresentar comportamento reprodutivo, culminando no nascimento agora confirmado.
Importância ecológica
A arara-vermelha-grande atua como dispersora de sementes, capaz de transportar frutos por longas distâncias e favorecer a regeneração florestal. Segundo a analista ambiental Lígia Ilg, coordenadora do projeto, o resultado reforça que aves de cativeiro podem readquirir comportamentos naturais quando submetidas a protocolos adequados de reabilitação.
Com o sucesso dos primeiros nascimentos, o Ibama pretende ampliar o programa para consolidar uma população estável da espécie no litoral brasileiro.
