Jiangxi, China – Há quatro anos, o comerciante Chen Hui, de 37 anos, arca silenciosamente com parte ou a totalidade das compras de uma idosa que vive sozinha e apresenta doença mental. A atitude ocorre sem que a cliente perceba: no caixa, o vendedor simula a leitura de todos os produtos, emite o som do leitor de código de barras e cobra apenas uma fração do valor.
As imagens das câmeras de segurança, registradas entre 2021 e 2025, confirmam a rotina de cuidado. Segundo Chen, a decisão de ajudar partiu do desejo de preservar a dignidade da mulher. “Não quero que ela se sinta alvo de pena ou zombaria. Todos merecem dignidade”, afirmou.
Discrição no atendimento
Quando a idosa chega ao mercadinho, normalmente escolhe bolinhos, lanches, água e refrigerante. “São apenas algumas dezenas de yuans cada vez. Eu posso pagar”, explicou o comerciante. Caso a cliente questione o preço, Chen responde que outras pessoas já quitaram a conta on-line.
Origem da iniciativa
Chen conheceu a mulher em 2021, num dia de calor intenso, quando ela usava um casaco de inverno. Ao descobrir o histórico de doença mental e dificuldades familiares da idosa, resolveu ajudá-la. Quando um vídeo mostrando a vestimenta fora de época viralizou e gerou comentários maldosos, ele reagiu: “Ela não está louca. Ela só está doente. Por que ridicularizar alguém que já está sofrendo?”
O comerciante chegou a publicar imagens da cliente para pedir compaixão, obtendo milhões de visualizações e sendo chamado de “o mais bondoso da cidade”. Depois, apagou o conteúdo para proteger a idosa das críticas. Mesmo assim, seguidores continuaram enviando dinheiro e roupas; os valores são depositados na conta dela e usados para quitar futuras compras.
Reflexo nos negócios
Chen rejeita rótulos como herói ou filantropo e diz que compartilhou a história apenas para incentivar o apoio a pessoas vulneráveis. Ainda assim, relata que o movimento no mercado aumentou após a divulgação da iniciativa. “Se todos ajudarem dentro de suas possibilidades, a sociedade será um lugar um pouco melhor”, resumiu.
