Pesquisadores do Fred Hutchinson Cancer Center, nos Estados Unidos, criaram anticorpos capazes de bloquear a infecção pelo vírus Epstein-Barr (EBV), responsável pela mononucleose, popularmente chamada de “doença do beijo”. O avanço foi divulgado em 16 de abril de 2026.
Como o vírus atua
Transmitido principalmente pela saliva, o EBV infecta a maior parte da população adulta mundial. Depois do primeiro contato, permanece adormecido nas células B do sistema imunológico, podendo ser reativado em situações de baixa imunidade.
O que a pesquisa identificou
A equipe isolou 10 anticorpos monoclonais com estrutura humana produzidos em camundongos geneticamente modificados. Parte deles impede a ligação do vírus às células; outros bloqueiam a entrada viral. Em testes de laboratório, um desses anticorpos barrou totalmente a infecção, enquanto outro ofereceu proteção parcial.
Desafios no combate ao EBV
O vírus se prende facilmente às células B, o que dificulta tratamentos. Além disso, anticorpos gerados fora do corpo costumam ser rejeitados. Ao adotar proteínas com configuração humana, os cientistas reduziram esse risco.
Doenças associadas
Estudos relacionam o EBV a condições como lúpus eritematoso sistêmico, esclerose múltipla, Covid longa e síndrome da fadiga crônica. O vírus também é ligado a cânceres como linfoma de Burkitt e carcinoma nasofaríngeo.
Quem pode se beneficiar
Pacientes imunossuprimidos, especialmente transplantados, têm risco de desenvolver o distúrbio linfoproliferativo pós-transplante (PTLD), forma de câncer associada à reativação do EBV. A nova terapia pode ajudar a prevenir esse quadro.
Próximos passos
O trabalho ainda está na fase inicial. Os cientistas planejam primeiro avaliar a segurança dos anticorpos em adultos saudáveis e, em seguida, conduzir estudos clínicos com grupos de maior risco. Ainda não há previsão para disponibilização do tratamento.
Com a identificação dos pontos vulneráveis do EBV, os autores acreditam que os dados também servirão de base para futuras vacinas contra o vírus.
