Hamilton (Bermudas), 12 de abril de 2026 – Um novo filhote de cahow, ave marinha considerada uma das mais raras do planeta, nasceu na Ilha Nonsuch, no nordeste do arquipélago das Bermudas. O nascimento foi registrado pela equipe responsável pelo Cahow Recovery Project, que monitora a espécie 24 horas por dia.
Único local de reprodução
Nonsuch é o único ponto conhecido onde o Pterodroma cahow consegue se reproduzir. Por isso, cada ninhada é acompanhada de perto por biólogos e voluntários. A ilha, pequena e totalmente protegida, mantém acesso controlado para evitar qualquer impacto no habitat.
Espécie já foi dada como extinta
O cahow, ou petrel-de-Bermudas, desapareceu durante o período colonial e permaneceu classificado como extinto por cerca de 300 anos. A redescoberta ocorreu na metade do século XX e, na década de 1960, restavam apenas 18 casais reprodutivos em Nonsuch.
A partir dessa constatação, o pesquisador David Wingate iniciou um programa de recuperação que segue ativo. O trabalho inclui controle de predadores, restauração ambiental e construção de ninhos artificiais de concreto que imitam as tocas naturais usadas pelas aves.
Reprodução lenta e desafiadora
O ciclo reprodutivo do cahow é demorado: os jovens retornam ao local de nascimento entre três e seis anos depois para formar novos ninhos. Cada fêmea põe apenas um ovo, e nem todos os filhotes sobrevivem ao primeiro ano. Antes de aprender a voar, o filhote é deixado sozinho pelos pais e precisa buscar alimento no mar, etapa crítica para a sobrevivência.
População em crescimento gradual
Apesar dos obstáculos, os números vêm melhorando. Dos 18 pares registrados nos anos 1960, o total subiu para 55 pares em décadas seguintes. Atualmente, cerca de 450 aves, entre jovens e adultas, vivem na ilha.
Restauração de todo o ecossistema
Além do cahow, a recuperação ambiental de Nonsuch permitiu o retorno de outras espécies nativas, como a garça-noturna-de-coroa-amarela, caranguejos terrestres e um pequeno lagarto endêmico. O trabalho de conservação continua a ser usado como referência para pesquisa e educação, com câmeras ao vivo que mostram o cotidiano das aves.
O novo filhote, agora monitorado pela equipe do projeto, reforça a importância das ações de proteção contínua e confirma que a estratégia adotada há mais de seis décadas segue dando resultados.
Com informações de Só Notícia Boa
